SINTONIA DIGITAL

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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Invenções que mudaram o mundo e sobreviveram ao tempo

LUZ ELÉTRICA (1879)
O desenvolvimento da lâmpada incandescente
pelo americano Thomas Edison é o marco da
captura da energia elétrica. Ela alavancaria o
desenvolvimento da indústria e revolucionaria o
modo de vida das pessoas.
Hoje: cerca de 90% das casas, no Brasil, possuem
luz elétrica. Nos países desenvolvidos, esse
número é de quase 100% .

 FOTOGRAFIA (1839)
O pintor e físico francês Louis Daguerre descobre que a imagem
pode ser capturada e reproduzida por meio de uma câmera escura.
Em sua homenagem, durante os primeiros anos, a máquina
fotográfica era conhecida como daguerreótipo.
Hoje: a imagem digital, que dispensa filme e revelação, transformou a
fotografia em um hobby de milhões de pessoas em todo o mundo.

CARRO (1886)
O engenheiro alemão Gottlieb Daimler desenvolve o primeiro
veículo de quatro rodas movido por motor a gasolina.
O veículo é considerado o primeiro automóvel da História.
Hoje: o carro é o principal meio de transporte da atualidade.

TELEFONE (1876)
Embora vários inventores estivessem trabalhando
no projeto do telefone, foi o escocês Alexandre
Graham Bell quem realizou a primeira ligação
entre dois aparelhos. "Doutor Watson, preciso do
senhor aqui imediatamente", foi a primeira frase
pronunciada ao telefone para um de seus assistentes.
Hoje: cada vez mais o celular facilita a vida do
usuário em todos os sentidos.


 
COMPUTADOR (1945)
Embora a invenção do computador pessoal date do fim dos anos 70, ele está
prestes a completar 60 anos. O primeiro, o Enniac, pesava 30 toneladas, usava
cartões perfurados e tinha, entre outras funções, de fazer cálculos de balística
para o Exército americano. O desenvolvimento de microprocessadores permitiu
a criação de computadores pessoais de mesa e portáteis, os laptops.
Hoje: o computador se tornou uma ferramenta indispensável na vida
cotidiana, seja profissionalmente, seja como instrumento de pesquisa,
comunicação pessoal e entretenimento.

RÁDIO (1896)
Criado pelo italiano Guglielmo Marconi, o rádio teria
sua primeira transmissão realizada na virada do
século XIX para o XX, em 1901. Ele enviou ondas
de rádio de um balão, na Inglaterra, que foram
captadas na Costa Oeste dos Estados Unidos.
Hoje: o rádio trocou o entretenimento dos primeiros
 tempos pela prestação de serviços. Nisso, é imbatível.


SATÉLITE (1957)
O Sputnik, russo, foi o primeiro satélite lançado no espaço.
Criado para pesquisa espacial, seu uso foi ampliado para estudos
meteorológicos a partir dos anos 60. O Telstar, primeiro satélite de
comunicações, foi lançado, em 1962, pelos Estados Unidos.
Hoje: a idéia de Aldeia Global, para ser real, depende 100% dos satélites.

TELEVISÃO (1924)
A primeira transmissão, para a comunidade científica,
ocorreu em Londres e foi captada em um aparelho de
30 linhas de definição. Era possível ver apenas o
contorno de imagens de pessoas. Na França,
a primeira transmissão foi feita em 1935, da Torre Eiffel.
Nos Estados Unidos, em 1939. No Brasil, em 1953.
Hoje: a TV é o principal meio de entretenimento
das pessoas. No futuro próximo, cada
telespectador montará a própria programação.


 
INTERNET (1969)
Criada para fins militares, a comunicação em rede por computador passou a ser
usada para pesquisa em universidades nos anos 80 e ganhou uso comercial na
metade dos anos 90. No Brasil, o serviço foi implantado em 1995. Em 2000,
o país adotou o sistema de banda larga.
Hoje: há dez anos, a rede não existia. Não dá nem para
imaginar como seria a vida sem ela. 

Fotos: reprodução
 
http://epoca.globo.com/especiais/2004/tecnologia/abre.htm, acessado em 18/06/2010.

A evolução tecnológia: "A melhor amiga do homem."

A evolução tecnológica facilitou a vida das pessoas como nem a ficção científica foi capaz de imaginar. E vai fazer ainda mais.
MILTON BELLINTANI                                                                  

 Otávio Dias de Oliveira/Ag. O Globo
                                                   

A vida real superou a arte. Os supercomputadores não se tornaram mais inteligentes do que o homem nem tomaram as rédeas do poder, como apregoaram autores de ficção científica nos anos 50 e 60. Em vez disso, a evolução tecnológica melhorou a vida das pessoas como esses escritores não foram capazes de imaginar. A máquina, e as formas de inteligência artificial desenvolvidas para fazê-la funcionar melhor, vem tornando o lar, doce lar, cada vez mais irresistível.

Assistir a filmes em casa confortavelmente em home theaters sofisticados e aparelhos de televisão wide screen de até 60 polegadas, monitores de plasma e som digital puríssimo faz muitas salas de cinema parecer um programa menos atraente. A quase simultaneidade entre os lançamentos de filmes no circuito comercial e nas locadoras de DVD torna a tentação de esperar que o cinema vá até nossas casas, e não o contrário, ainda maior. Se isso já é bom, vai ficar ainda melhor dentro de poucos anos. Em vez de o telespectador se ajustar à programação das emissoras, ela é que se adaptará às preferências dele, que escolherá seus programas favoritos e receberá, em seu aparelho, apenas aquilo que efetivamente deseja ver.

A TV por encomenda é apenas uma das facetas da revolução que está em andamento, comandada pela convergência das tecnologias de consumo. Num futuro mais próximo do que se imagina, todos os aparelhos domésticos conversarão entre si. Isso será possível graças às redes sem fio (wi-fi) e à transmissão de dados em alta velocidade. O princípio é o mesmo da internet e da tecnologia da terceira geração de celulares. "A capacidade ä de alcançar o consumidor onde quer que ele esteja e de trocar dados acontecerá em redes de banda larga conectadas entre si", explica o presidente da Lucent Technologies no Brasil - empresa que é líder mundial em implantação de infra-estrutura e serviços para redes móveis 3G -, José Roberto Campos. "Em alguns anos, as pessoas poderão acender as luzes, fechar as janelas ou checar o sistema de segurança de sua casa mesmo estando do outro lado do mundo." Tão simples como, hoje, é tirar os recados da secretária eletrônica a distância.

A convergência das tecnologias em redes de alta velocidade
revolucionará o trabalho, o estudo e o lazer

A internet de alta velocidade aumentou a oferta de serviços de entretenimento voltados para o indivíduo. Pela rede, é possível ouvir e baixar músicas de qualquer país e de quase todas as épocas - gratuitamente ou a preços mais atraentes do que os de um CD inteiro. Trabalhar em casa, por escolha ou necessidade, virou realidade para milhões de pessoas em todo o mundo. Os celulares top de linha, o palm, o laptop e as câmeras digitais, fotográficas ou filmadoras transformaram cada pessoa potencialmente em uma estação móvel de trabalho. A oferta de ensino a distância cresce em todos os níveis do ensino superior, com a abertura de cursos de graduação e de pós-graduação em grandes universidades brasileiras - como a de Brasília (UnB), a federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a de São Paulo (USP). Sem sair do país, já é possível fazer mestrado em universidades americanas e européias.


Hoje, a rede mundial de computadores é o principal veículo de navegação na superestrada da informação. Quem não está plugado nela, não seria exagero dizer, é uma espécie de cidadão não-globalizado. Nunca é demais lembrar que há dez anos a internet comercial não existia. Mas essa exclusividade não vai durar muito tempo. Os celulares 3G cumprirão muitas tarefas que, por ora, somente a web é capaz de dar conta. O que a tecnologia não fará por nós daqui a mais dez anos?

Há dez anos, poucos imaginavam que a internet se tornaria um
instrumento de primeira necessidade.

Sem fazer exercício de futurologia ou marcar data para novos saltos tecnológicos, o coordenador do Laboratório de Sistemas Integrados da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, João Antonio Zuffo, confirma que vêm por aí novidades tão boas quanto a internet. "A geladeira fará as compras do mês pela dona de casa informando ao supermercado que produtos estão faltando. Os cômodos da casa ajustarão a intensidade das luzes, do ar-condicionado e da música ambiente às preferências dos moradores", afirma.

Zuffo sabe o que diz. Ele não fica sentado em sua sala, na Faculdade de Engenharia Elétrica, na USP, esperando o futuro chegar. Em vez disso, comanda uma equipe de 350 pessoas, e 40 doutores em Engenharia da universidade, em projetos futuristas para empresas e governos. "Criamos um pneu inteligente, a pedido da Pirelli, capaz de medir a temperatura e o desgaste dos pneus, além de sua localização por GPS. Como fizemos isso? Injetando um microchip no pneu durante o processo de fabricação." A pedido do governo federal, Zuffo e equipe desenvolveram um projeto de TV interativa para ser usado pelo Ministério da Educação em escolas da rede pública. "Por meio dele, a baixo custo, as escolas terão acesso a redes de computação e estarão integradas com mais eficiência ao sistema de ensino."

Num futuro próximo, a geladeira informará ao supermercado
os produtos que estão faltando.

O carro do futuro também conversará com as redes de comunicação. Você talvez não tenha se dado conta, mas computadores de bordo já atuam como uma espécie de cérebro auxiliar do motorista, comandando funções rotineiras como a queima otimizada de combustível, a redução de emissão de gases poluentes e a regulagem dos freios. Em pouco tempo, farão bem mais que isso. Eles saberão quando reduzir a velocidade para evitar colisões, consultarão mapas e informações de trânsito via rede para indicar o melhor caminho, manterão a velocidade adequada para cada avenida e liberarão o motorista de tarefas mecânicas, como trocar marchas e sinalizar mudanças de pista. Com isso, ele poderá desfrutar melhor do sistema de som e imagem instalado no possante. Em vez de ouvir o noticiário, poderá vê-lo enquanto aguarda o semáforo abrir.

O que pode parecer peça de ficção científica está mais próximo do que se imagina. Já há no mercado produtos como um kit veicular viva voz acoplável ao encosto do banco do motorista, o Nokia 610, que capta o sinal do telefone celular e libera o condutor de usar as mãos para atender ligações - e também efetuá-las no caso de o aparelho possuir comando de discagem por voz. O futuro está chegando em doses homeopáticas.

http://epoca.globo.com/especiais/2004/tecnologia/abre.htm, acessado em 18/06/2010.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Tecnologia e Sociedade

"A palavra progresso não tem nenhum
sentido enquanto ainda existirem
crianças infelizes."
_Albert Einstein



O progresso técnico seria a resposta aos males de nossa sociedade? O presente texto procura contribuir para o debate sobre os prováveis impactos de inovações tecnológicas nos diferentes setores do complexo sistema social, econômico e político que caracterizam as sociedades contemporâneas.

Temos, por um lado, os defensores do aumento sem restrições da P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), ou seja, das verbas orçamentárias e particulares atribuídas aos esforços de inovação tecnológica, sob forma de mais pesquisas, patentes, publicações científicas e suas aplicações no processo produtivo. Freqüentemente, pesquisadores e tecnólogos prometem mais do que podem efetivamente entregar, para obterem mais financiamentos para suas atividades. Assim, solapam sua credibilidade junto à sociedade quando esta percebe os exageros nas promessas e a omissão dos riscos e problemas inerentes no desenvolvimento de certas tecnologias de ponta, tais como a engenharia genética, a energia nuclear e, mais recentemente, a nanotecnologia.

Por isso, face às propostas, planos e projetos de política científica e tecnológica, devemos sempre indagar: Para quê? Para quem? A que custo?

Os positivistas afirmam que ciência e tecnologia servem a toda a humanidade – vide os trabalhos de Pasteur, Koch, Sabin e tantos outros que salvaram milhões de vidas humanas. Afinal, o progresso técnico ajudaria a impelir o desenvolvimento da sociedade humana, vencendo a superstição e ignorância, ao imprimir maior racionalidade às ações humanas. Existe um lobby poderoso que pressiona para obter mais verbas para a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico. Sobretudo nos países emergentes, cujas elites pregam a necessidade de se alcançar os níveis de excelência dos países mais ricos.

Afirma-se que a inovação e, particularmente, seus produtos tecnológicos estimulam a competitividade e, dessa forma, contribuem para o crescimento econômico do país. Conseqüentemente, a competitividade é erigida em valor supremo da vida social, como se fosse uma lei da natureza imanente à espécie humana.

Omite-se, propositadamente, que o mais longo período da história da vida humana foi orientado pela cooperação e a solidariedade, valores fundamentais para a sobrevivência da espécie. Considerar a competição como norma geral do comportamento social leva ao Darwinismo Social como filosofia dominante e relega a preocupação com os próximos ao segundo plano.

Não existiriam outras opções de estilo de vida que valeria a pena transmitir aos jovens e às crianças? O que acontece com os menos competitivos, os derrotados, os que ficaram para trás?

A ideologia da competição e produtividade faz parte de uma visão de mundo dominada pela corrida atrás da acumulação de capitais e do enriquecimento ilimitado, nem sempre por meios civilizados e legítimos.

A realidade ensina que existem limites para o aumento da produtividade quando ela está baseada no aumento de um só fator, cujo crescimento exponencial leva o sistema a sofrer os efeitos da “lei de rendimentos decrescentes”. Ademais, os arautos da luta competitiva nos mercados não se preocupam com o destino dado aos resultados de um aumento da produtividade e de lucratividade dos negócios.

Para a sociedade, coletivamente, só haverá vantagens na busca de maior produtividade quando seus resultados forem distribuídos para elevar o nível de bem-estar coletivo. Isso pode ser atingido mediante a elevação proporcional dos salários, a redução dos preços de bens e serviços ou o aumento de investimentos dos lucros gerados, na expansão do sistema produtivo.Contrariando tal lógica produtivista, os excedentes do processo produtivo na América Latina vêm sendo, historicamente, desviados para o consumo de luxo das elites, para o entesouramento sob forma de aquisição de terras e de moeda estrangeira ou, modernamente, do envio para paraísos fiscais e aplicações especulativas no mercado financeiro internacional.

Países potencialmente ricos em recursos naturais (Argentina, Brasil, Venezuela), com uma força de trabalho relativamente qualificada e com acesso a tecnologias modernas vêm, há décadas, padecendo com a miséria da maioria de suas populações, enquanto suas elites – que vivem entre o fausto e o desperdício – recorrem aos serviços de advogados, do aparelho judiciário e de uma legislação falha ou omissa para evadirem impostos e tributos. Ao mesmo tempo, essas elites proclamam a ciência e a tecnologia como a mola do desenvolvimento, exigindo mais verbas para P&D. Elas parecem ignorar que a maior parte desses recursos acaba canalizada para projetos militares de utilidade questionável, tais como, o desenvolvimento de armas de destruição em massa, exploração do espaço e o aperfeiçoamento de inúmeros artefatos para fins bélicos.

Deixemos bem claro: não se discute aqui a necessidade de P&D nas sociedades contemporâneas, mas a condição de que esta seja ambientalmente segura, socialmente benéfica (para todos) e eticamente aceitável.

A quem caberia então a responsabilidade de autorizar, orientar e estabelecer prioridades do desenvolvimento tecnológico, inclusive na alocação das verbas sempre escassas? O discurso oficial privilegia o papel do “mercado” – as grandes empresas industriais e de serviços, das agências e repartições burocráticas do governo, das universidades e de grupos corporativistas de cientistas e tecnólogos. A sociedade civil organizada – através de suas ONGs, associações e sindicatos – não é considerada interlocutora qualificada para participar das decisões sobre política de C+T ou na definição de prioridades para a alocação de verbas orçamentárias. Ora, são exatamente esses atores sociais que representam a maioria da sociedade que mais sofrerá os impactos econômicos, sociais e ambientais de decisões tomadas nas esferas executiva e legislativa dos regimes de democracia representativa, sob as pressões de tecnocratas e de homens de negócios, supostamente mais informadas e qualificadas para decidir sobre assuntos de tamanha relevância.

A este respeito, vale recordar um episódio emblemático, ocorrido há mais de um quarto de século. No final da década dos setenta, foi realizada uma Conferência das Nações Unidas sobre Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento na cidade de Viena, Áustria, coordenada por um diplomata brasileiro.Os discursos e debates da conferência não ultrapassaram o trivial, mas, no mesmo período, houve um acontecimento inusitado que marcou época.

No auge da crise de petróleo, o governo austríaco tinha, com a anuência do parlamento, construído um reator nuclear a cerca de 27 quilômetros de distância da capital, maior aglomeração urbana do país. Sua inauguração estava marcada para a ocasião da conferência, mas meses antes, a população começou a manifestar sua oposição à energia nuclear, apontando para os riscos da radioatividade. Em vão, o governo e seus representantes no parlamento e no “establishment” científico apontaram para a “irracionalidade” da oposição que conclamava por uma consulta popular em ampla escala sobre a conveniência da operação do reator. O referendo realizado decidiu, com ampla maioria, contra a utilização de energia nuclear e assumiu o prejuízo, ou desperdício, dos mais de um bilhão de US$ empregados na construção. O reator nunca foi ativado e, até hoje, permanece lá como um monumento às decisões não democráticas e irresponsáveis das autoridades. Apesar da perda do investimento, a sociedade austríaca encontrou outras fontes energéticas e se mantém na vanguarda dos países desenvolvidos, com altíssimo IDH - Índice de Desenvolvimento Humano.

Resumindo, ciência e tecnologia não são ética ou politicamente neutras, cientistas e tecnólogos não podem despir-se de suas posições sociais e de seus valores. Em cada estágio da evolução social, as tecnologias utilizadas refletem as contradições e os conflitos entre o poder econômico e sua tendência à concentração de riquezas, poder e acesso à informação e as aspirações de participação democrática, autonomia cultural e autogestão.Por isso, a sociedade civil tem o dever e o direito de exercer o controle sobre as inovações tecnológicas que não podem ficar a critério único de cientistas, tecnocratas, políticos e empresários. Impõe-se uma avaliação prospectiva baseada no princípio da precaução e que contemple, além dos aspectos técnicos e financeiros, a necessidade inadiável de superar a situação de desigualdade e o processo de deterioração do meio ambiente.

http://www.espacoacademico.com.br

terça-feira, 15 de junho de 2010

Conhecimento e inclusão social

Conhecimento e inclusão social
Texto adaptado http://revista.ibict.br/inclusao/index.php/inclusao/article/view/9/17

Sergio Rezende
Ex Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia

      O desenvolvimento social e econômico de uma nação está fortemente vinculado ao progresso científico e tecnológico e à situação da educação. A ciência e tecnologia é, hoje, um dos principais instrumentos de superação das desigualdades. A difusão e popularização desse conhecimento como meio de promoção à melhoria da qualidade de vida pessoas. 
    A criação da Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social (Secis), em julho de 2003, reflete compromisso do governo Lula com projetos e ações que possibilitem à população, principalmente aquela excluída do processo econômico e social, usufruir os benefícios gerados pela ciência, tecnologia e inovação. (...)

domingo, 30 de maio de 2010

Reflexões sobre “silêncio virtual” no contexto do grupo de discussão na aprendizagem via rede
Maria Ilse Rodrigues Gonçalves

Aspecto difícil de lidar nos grupos virtuais é, sem dúvida, o 'silêncio virtual', cujas origens podem ser as mais variadas. As formações grupais podem propiciar tanto a verbalização quanto o silêncio, o que não é prerrogativa do grupo virtual, uma vez que existe também no presencial. Entretanto, no virtual, esse problema é mais complexo, pois, se a sua comunicação é pela escrita e esta não existe, resta só silêncio, não há comunicação.
A presença ou a ausência física de alguém é notada em uma classe presencial, haja ou não participação verbal. No ambiente eletrônico, o participante pode desaparecer mais facilmente, sendo sua ausência notada. Todavia, é mais fácil ser ignorada do que uma cadeira vazia, porque, embora esta seja uma espécie de presença, significa que um aluno deveria estar no seu lugar. Essa cadeira vazia pode caracterizar uma presença, às vezes, muito eloqüente. Pode significar esquecimento, não-importância ao debate, enfim, pode implicar uma série de dados relevantes.
Também é mais fácil ser um membro quieto em um grupo face a face. Os demais sabem que ele está presente, mesmo permanecendo em silêncio, podendo ocorrer ainda o estar fisicamente presente, porém alheio, envolto em suas dificuldades emocionais. Às vezes, em um grupo presencial, pode-se claramente perceber o que o participante quer dizer com o não dizer. Outras, não. Pode ocorrer ainda, de acordo com a postura do grupo, ser mais fácil detectar qual o tipo de silêncio e o que este significa.
Em grupos eletrônicos, os participantes mais quietos simplesmente não estão presentes. Permanecem em um lugar chamado por eles de “fundão”, “leitores”, “observadores”, “silenciosos”, ou seja, estão envoltos no “silêncio virtual”.
Na presencialidade, existem outras formas de expressão: comunicação do corpo, do rosto, dos olhos, da postura. Enfim, o participante pode sinalizar, gerando uma comunicação não-verbal que a completa.
A personalidade do participante constitui aspecto importante. Alguns, por timidez, apresentam certas dificuldades, o que ocorre também com os não-tímidos, que atribuem mais importância à fala oral do que à escrita. Há tímidos que opinam em ambientes virtuais, já que podem refletir antes de exteriorizar suas idéias. Freqüentemente, até os extrovertidos em grupos presenciais permanecem mais em silêncio quando participam de grupos virtuais.
É interessante que educandos participantes de grupos de discussão (GDs) virtual, em sala de aula, às vezes se expressem pouco. Seria questão da personalidade do participante identificar-se ou não com aquele espaço? No momento, vive-se uma mudança de paradigma e deve-se ter postura mais ativa. Nos GDs, há os que permanecem como alguns alunos na sala de aula presencial: não têm o que fazer. Basta deixar o professor comandar o show e pronto.
Além das situações mencionadas, o silêncio pode ainda se manifestar em situações inusitadas. Por exemplo, não concordar com algo e preferir calar-se; refletir uma forma de agressão; sentir que o outro não merece resposta; resultar de dificuldades emocionais; não atribuir importância ao debate, talvez por terem estabelecido outras prioridades.
Nos grupos de aprendizagem em rede, quando alguns integrantes não participam, os demais percebem esse silêncio e ficam incomodados. Assim, uma parte comunica-se e a outra não, e a primeira sente-se incomodada diante de não-participação da outra. O mal-estar manifesta-se claramente nos participantes, que em geral solicitam ao moderador enviar e-mail e telefonar para saber por que os demais não se manifestam. Há uma exigência, uma demanda dos participantes ativos diante daqueles que estão no silêncio virtual.
Em certas ocasiões, a possibilidade de comunicação ou quebra no silêncio do grupo é necessária, embora possa simbolizar, em determinados momentos, algo complexo, cuja presença precisa ser estabelecida pelo professor/tutor/moderador, seja na comunicação escrita ou verbal.
Paradoxal que seja, a premência em compreender o silêncio faz com que se tenha pouca tolerância em relação a ele. Diante de dificuldades quanto a essa compreensão, surgem questionamentos que não devem requerer respostas prontas e implicam pesquisar, refletir, vasculhar, em uma curiosidade a respeito do saber. É necessário que se tenha mais abertura, mais receptividade nesses momentos. Ignorar o silêncio diante do que não está sendo comunicado... Pode-se ter uma postura sábia, produtiva, diante do silêncio, ou uma postura esterilizante, que exige resposta rápida e que pode ser reflexo da ansiedade do professor/tutor/moderador.
Refletir, imaginar, criar, inventar, integrar novas idéias são atividades intelectuais que necessitam, antes de tudo, de silêncio, no qual o pensamento é a atividade principal (Schutzenberger e Weil, 1977, p. 65). Dessa forma, em determinado momento, o participante precisa metabolizar, elaborar mentalmente o que está sendo desenvolvido. Seria mais ou menos um recolhimento, no qual reflete ou simplesmente tenta assimilar o impacto do que foi vivenciado.
Esses são os silêncios “fecundos”, segundo Rudio (1993), ou os silêncios construtivos. Tais momentos não podem ser interrompidos mediante intervenção, sobretudo se ansiosa, do professor/tutor/moderador, pois refletem exatamente o participante encontrando-se consigo mesmo. Paradoxalmente, quando o profissional tem condição de respeitar esses momentos, eles podem ser acompanhados por acolhimento e reflexão. O professor/tutor/moderador não deve intervir com turbulência, com invasão, com cobrança, uma vez que se trata de momentos de profunda e significativa delicadeza humana. Assim, sua presença silenciosa e seu acolhimento tornam-se mais importantes do que qualquer intervenção, tanto verbal quanto escrita.
Todo esse desenrolar pode ser reflexo do conhecimento que se está processando, gestando as idéias no silêncio do participante. Às vezes, um toque certo, sutil, leve, uma ancoragem, pode ter boa repercussão e obter bom resultado. Metáfora procedente seria comparar o participante silencioso a um tatu-bola que, ao sentir-se ameaçado, enrosca-se todo, podendo recolher-se e transformar-se em uma bolinha. Se for deixado quieto, de repente, desenvolve-se e começa a caminhar de novo. Às vezes, também é necessário um tempo para que o participante possa desenroscar-se. De acordo com o toque, pode-se levar o participante a enrustir-se mais ou a desabrochar. Nesse sentido, a sensibilidade do professor/tutor/moderador é fundamental, pois intervir pode ser eficiente ou não.
Nessa perspectiva, a condução do silêncio por parte do professor/tutor/moderador constitui aspecto importante a ser considerado. Saber usar o silêncio resulta de um aprendizado difícil, uma vez que o impulso inicial é intervir com freqüência, atendendo à necessidade de aliviar suas próprias tensões. Por vezes, as pessoas, saturadas de suas ansiedades e conflitos, não têm tempo ou espaço para o outro. Todavia, a sabedoria do silêncio e o intervir no momento oportuno podem ser produtivos para o processo do desenvolvimento grupal.
Em toda comunicação há sempre o lado silencioso, que acolhe a palavra do outro. Nem sempre o silêncio reside naquele que aparentemente se cala. A fala verdadeira surge do silêncio. Deve sempre existir o silêncio entre as pessoas: o silêncio de oposição, o silêncio de concentração ou reflexão, o silêncio de ausência ou expectativa, o silêncio que é a condição para que haja comunicação, apenas viabilizada se há alguém que escute. Entre ouvir e escutar pode haver abismos. A pessoa que escuta fica em silêncio, mas é um silêncio produtivo. Um silêncio de acolhimento é o que está disponível para a fala do outro. Existem silêncios tão eloqüentes que o outro acaba percebendo aquilo que o outro está dizendo, ou seja, escuta o que ele está dizendo, diante do seu silêncio acolhedor. É um silêncio de bom ouvinte, ativo, e não um silêncio de ausência.
Torna-se oportuno reforçar a importância de saber ouvir o outro sem estar com ou em silêncio, mas falar escutando, calar para escutar a quem, silencioso, e não silenciado, fala, como bem afirma Freire (2000, p. 132):
Quem tem o que dizer deve assumir o dever de motivar, de desafiar quem escuta, no sentido de que, quem escuta diga, fale, responda. [...] Quem escuta sequer tem tempo próprio, pois o tempo de quem escuta é o seu, o tempo de sua fala. Sua fala, por isso mesmo, se dá num espaço silenciado e não num espaço com ou em silêncio. Ao contrário, o espaço do educador democrático, que aprende a falar escutando, é cortado pelo silêncio intermitente de quem, falando, cala para escutar a quem, silencioso, e não silenciado, fala.

Constata-se, pelo enunciado, a importância do silêncio na comunicação, que possibilita - ao escutar a fala comunicante de outrem como sujeito, e não como objeto - penetrar no âmago do seu pensamento, transformando-o em linguagem. Constata-se, ainda, que viabiliza a quem fala comprometido em comunicar e não em fazer puros comunicados, escutar a indagação, o questionamento, a criação de quem escutou. Ao extrapolar tais condições, inexiste a comunicação.
Tais reflexões levam a repensar o tema do silêncio, uma vez que, no processo da fala e da escuta, a disciplina do silêncio é importante na comunicação dialógica. Saber ouvir e acolher o outro constitui aspecto muito difícil e implica sabedoria. Há muito ainda a pesquisar quanto ao silêncio, cujos estudos e reflexões, certamente, poderão enriquecer a comunicação pedagógica educativa no ciberespaço.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GONÇALVES, M.I.R. Educación en el ciberespacio. Universidad Nacional de Educación a Distancia, Departamento de Didáctica General, Didáticticas Específicas y Organización de las Instituciones Educativas. Madrid, Espanha, 2003. Tese de doutorado.

RHEINGOLD, H. Comunidades virtuais. In: DRUCKER, P.F. A comunidade do futuro: idéias para uma nova comunidade. São Paulo: Futura, 1998. p. 120-127.

RUDIO, F.V. Orientação não-diretiva na educação, no aconselhamento e na psicoterapia. Petrópolis: Vozes, 1993.

SCHUTZENBERGER, A.A.; WEIL, P. Psicodrama triádico: uma síntese entre Freud, Moreno, Kurt Lewin e outros. Belo Horizonte: Interlivros, 1977.